Neste texto abordaremos a importância dos avanços tecnológicos para garantir o controle da qualidade dos exames laboratoriais e consequentemente dos laboratórios clínicos. A tecnologia da informação propiciou criação de um programa de controle interno da qualidade, como o Qualichart, que auxilia os profissionais da saúde na manutenção dos serviços prestados pelos laboratórios com eficiência, qualidade e rapidez.

O profissional de laboratório, dentre aqueles que atuam na área da saúde, é privilegiado por poder contar com métodos de aferição validados, apoiados pela estatística e pelos computadores, tendo como objetivo identificar eventuais perdas de estabilidade que possam comprometer a qualidade dos seus resultados. Incorporar a tecnologia no seu trabalho é elemento facilitador. Deve ser adotada.

Antes mesmo da criação de um programa de controle interno da qualidade já estavam disponíveis para os profissionais de laboratórios clínicos metodologias estatísticas aplicáveis para auxiliar na prática do controle interno. São elas: o gráfico de Levey-Jennings, as Regras Múltiplas do Controle (Regras de Westgard) e o cálculo do Coeficiente de Variação, como medida da variabilidade analítica. Contudo, faltava a ferramenta que fizesse o “serviço pesado”, ou seja, os cálculos estatísticos. Essa solução foi trazida pela Tecnologia da Informação. Sem ela, a prática do controle interno, diária como deve ser, não seria possível. Os computadores fizeram enorme diferença no Controle da Qualidade Estatístico.

Gráfico de Levey-Jennings

Este é o método mais consagrado e utilizado nos laboratórios clínicos para a prática do controle. Foi adaptado a partir do gráfico de Shewhart, de controle da produção de materiais. É com o gráfico que são estabelecidos os limites de tolerância para o controle, traçados em função do número de desvios padrão, acima e abaixo da média. Faz-se nele a plotagem de resultados seriados, obtidos na bancada, da análise de materiais. Em condições de estabilidade do sistema analítico, a distribuição de pontos segue parâmetros previstos estatisticamente, sempre oscilando em torno do valor alvo, ou média. É a chamada distribuição normal, ou gaussiana.

A análise do gráfico é muito contributiva para compreensão da variabilidade dos resultados obtidos dos materiais e já pode apontar os erros aleatórios ou sistemáticos. Mesmo na fase de preparo no controle interno, quando ainda estão em definição os valores de média e de desvio padrão já é possível extrair informações de desvio, variabilidade acentuada e tendências, pela análise do gráfico.

Regras Múltiplas de Westgard

Utiliza uma combinação de critérios para verificar se uma corrida analítica está dentro ou fora do padrão. As regras múltiplas proporcionam maior sensibilidade do sistema de controle interno da qualidade na detecção de problemas. Sua utilização ajuda a todos no reconhecimento da situação de alteração do desempenho do sistema analítico, diminuindo bastante a natural complexidade dessa operação de controle interno.

As regras de Westgard, para o controle interno da qualidade, são muito utilizadas no Brasil. São didáticas e úteis para auxiliar o profissional de laboratório no acompanhamento de seus sistemas de controle. Elas traduzem probabilidade estatística e quando violadas indicam problemas com o sistema, que devem ser analisados. Podem apontar o tipo de erro que ocorre, se erro sistemático, ou se aleatório.

Como os sistemas analíticos têm características próprias, deve-se adotar um modelo de regras mais adequado para cada sistema. O conhecimento do comportamento dos sistemas é fator importante para as especificações das estratégias de controle e escolha das regras. O uso adequado das regras de controle melhora o índice de detecção de erros, com menor índice de falsa rejeição.

Para os testes das regras múltiplas são necessários cálculos estatísticos, registros de dez últimas corridas e comparações de valores. Esse trabalho foi muito facilitado com o uso dos computadores, o que de outra forma seria impraticável no dia a dia.

Cálculo do Coeficiente de Variação(CV)

É fundamental analisar criticamente o desempenho do sistema analítico para identificar oportunidades de melhoria na qualidade da medição para se obterem valores menores para o erro aleatório. Consegue-se assim a imprecisão, reduzindo o erro total. A medida da imprecisão pode ser dada pelo Coeficiente de Variação (CV), calculado pela fórmula
CV = DP / Xm * 100. É expresso em porcentagem e provê uma boa estimativa do desempenho do método analítico, quanto à variabilidade.

O CV será menor, quanto menor for à variação dos resultados do controle, ou seja, haverá menor imprecisão. Portanto é uma meta interessante para ser alcançada pelo laboratório a utilização de um método que propicie um CV razoável, menor que a imprecisão máxima desejável. O valor para a imprecisão máxima para diversos analitos é outra conquista da atualidade, podendo ser encontrada em tabelas.

por Dr. Silvio Basques 

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