Dentro do processo de Controle Interno da Qualidade, é fundamental o conhecimento das Regras Múltiplas de Westgard, como fator responsável pela garantia dos resultados de análises clínicas. Dessa forma, vamos tratar abaixo sobre as características e comportamentos específicos dessas regras.

As Regras de Westgard

As Regras Múltiplas de Westgard são utilizadas para interpretar os resultados no sistema de Controle Interno da Qualidade (CIQ). Para tanto, utiliza-se uma combinação de critérios de decisão, com o objetivo de perceber comportamentos inadequados em uma ou mais corridas analíticas.  Em geral, a forma mais empregada na descrição das regras e descrita por Westgard se dá por meio da indicação do número de vezes que uma situação ocorre e pelo limite no gráfico de controle.

Com isso, essas regras ajudam a entender as não conformidades, assim como, esclarecer informações sobre o tipo de erro apresentado, podendo ser sistemático ou aleatório, possibilitando, então, a revelação da causa raiz do problema.

Contudo, sempre deverá haver o juízo do profissional sobre qual conjunto de regras melhor se aplica a diferentes sistemas analíticos.

Como as regras são apresentadas

Existem várias regras que podem ser empregadas isoladamente ou em conjunto, cabendo ao profissional a escolha do padrão que melhor represente a sua determinação para o controle da imprecisão do sistema analítico em questão. O ideal é que o gestor da qualidade especifique um conjunto de regras que melhor ajude a identificar problemas, obtendo maior índice de detecção de problemas. Muitas vezes as regras são empregadas para sistemas com dois níveis de controle (N = 2), mas também com três e quatro níveis. Muitas delas podem ser aplicadas para apenas um nível de controle. O uso de apenas um nível limita muito a sensibilidade na detecção de erros e também o encontro da causa, quando ocorre uma não conformidade.

O conhecimento do comportamento dos sistemas é fator importante para as especificações das estratégias de controle. O uso adequado das regras de controle melhora o índice de detecção de erros, possibilitando menor índice de falsa rejeição.

Veja a figura ao lado e suas explicações, que seguem a criação original do Dr. Westgard. Em desenhos e figuras fica prático representar com fontes de diferentes tamanhos, mas em texto e nos computadores preferimos adotar outra notação. Assim, vamos representar com o separador ‘:’, ficando então essa regra 1:2s. Desenvolvemos essa forma de representar no ano de 1998 e tem sido bem compreendida e adotada pelos profissionais de laboratório.

A letra s vem do inglês standard, que compõe o termo “standard deviation”, ou seja “desvio-padrão”,em português. O primeiro algarismo representa o número de resultados do controle que excedem o limite de tolerância especificado. No exemplo citado podemos facilmente entender que se trata de ocorrência de um resultado que ficou a mais ou a menos dois desvios padrão em relação à média de referência. O segundo algarismo significa que o limite de tolerância estabelecido para o controle foi 2DP, acima ou abaixo da média. Haverá violação dessa regra quando o resultado ultrapassar esse limite. As regras nos ajudam a entender a não conformidade e trazem também a informação sobre o tipo de erro, se sistemático, ou se aleatório. A partir dessa classificação podemos repassar uma lista de possibilidades, para o encontro da causa raiz do problema.

Descrição das regras de controle

Como os sistemas analíticos têm características próprias, deve-se adotar um modelo de regras mais adequado para cada sistema. O conhecimento do comportamento dos sistemas é fator importante para as especificações das estratégias de controle. Vamos descrever algumas das mais usadas regras múltiplas, representando no gráfico de Levey-Jennings a situação indicada pela regra.

Regra 1:2s

Regra de Alerta: representa a regra de controle onde o valor de um dos controles excede o limite de Xm ±2s. Não implica em rejeição. A ocorrência de 1:2s é o sinal de alerta e indica que devem ser realizadas inspeções adicionais em todos os dados. Num sistema manual, aplicam-se as regras seguintes para se decidir se os resultados podem ser aceitos ou devem ser rejeitados. Num sistema automatizado todas as regras são testadas, porque há situações em que não há violação de 1:2s e outra regra aponta erro sistemático. Como exemplo, a regra 4:1s, ou a 7T.


Regra 2:2s

Regra de Rejeição: A regra é inicialmente aplicada em uma mesma batelada para os valores de 2 controles (2 níveis). Os resultados não são liberados quando os valores de 2 controles excedem os limites de + 2s ou – 2s, no mesmo dia. A regra pode ser aplicada também em 2 observações consecutivas (2 dias) para um mesmo controle. A violação indica um erro sistemático.

por Dr. Silvio Basques

Veja outros posts desta série.

As Regras de Westgard: Como reconhecer diferentes comportamentos nos seus sistemas de controles (Parte 1)
As Regras de Westgard: Como reconhecer diferentes comportamentos nos seus sistemas de controles (Parte 2)
As Regras de Westgard: Como reconhecer diferentes comportamentos nos seus sistemas de controles (Parte 3)